

Fernando Luiz Lara - é professor da University of Texas at Austin School of Architecture onde dirige o grupo LAMA (Latin American Modern Architecture) de pesquisa. Arquiteto pela Universidade Federal de Minas Gerais (1993) e PhD pela Universidade de Michigan (2001), Lara teve sua tese de doutorado sobre a disseminação do modernismo no Brasil publicada em 2008: The Rise of Popular Modernist Architecture in Brazil, Gainesville: UPF. Com mais de uma centena de artigos publicados, Prof Lara discute as arquiteturas brasileiras moderna e contemporânea e seus significados no contexto socio-econômico-ambiental. Fundador do Studio Toró, uma ONG focada no desafio de construir debaixo de milhares de milímetros de chuva, Lara é também consultor do escritório Horizontes que trabalha com a arquitetura pública em todas as suas escalas. Seus trabalhos mais recentes sobre as favelas brasileiras investiga a disseminação do conhecimento arquitetônico até os mais humildes extratos sociais.



A urgente questão da sustentabilidade tem gerado todo tipo de propostas de designers e arquitetos. Algumas são vazias de conteúdo, outras são absolutamente utópicas. Muitas se baseiam numa ideia romântica de voltar a um tempo em que consumíamos menos energia (arquitetura de terra, por exemplo) e não são aplicáveis na escala dos desafios urbanos contemporâneos. No extremo oposto, temos propostas de novíssimas tecnologias que prometem desfazer todo o estrago que impusemos a atmosfera nos últimos dois séculos.
Esta semana foi divulgada a proposta de “treepods”, finalista de um concurso em Boston, de autoria dos franceses Mario Caceres e Cristian Canonico. Basicamente, eles propõem recriar artificialmente uma árvore. Uma estrutura de plástico reciclável (até aí tudo bem) em formato de uma árvore abstrata, com células de tecnologia “humidity swing” que captam CO2 da atmosfera, quebrando a molécula e guardando o carbono enquanto libera O2. A estrutura, com variados graus de transparência, seria iluminada de noite (com energia solar captada durante o dia). O desenho dos treepods, em partes moduláveis intercambiáveis, pode servir de mesa, banco ou até lata de lixo junto ao tronco/estrutura.
Como objeto de decoração ou instalação eu acho lindo, mas para substituir árvores? A tecnologia de captação de carbono existe, mas dependendo do nível de investimento pode demorar muitos anos ou mesmo décadas para ser comercializada a ponto de poder ser usada em milhares de treepods. Enquanto esperamos, não seria melhor investir um pedacinho deste enorme esforço de desenho e desta montanha de dinheiro necessário em algo como a identificação de quais árvores retiram mais carbono da atmosfera enquanto crescem mais rápido?
Eu acho que o design tem um papel importantíssimo a cumprir no desafio da sustentabilidade, mas me parece desperdício criar árvores artificiais quando podemos simplesmente cuidar melhor (inclusive com engenharia genética) das árvores que já temos.
Em relação aos treepods, já lancei meu desafio. Plantei num cantinho do quintal dezenas de pecans. Aposto que terei muitas jovens árvores me dando sombra, oxigênio e pecans antes que Boston tenha seus treepods fazendo alguma diferença.
Voltar
Home
De: Ana em 31/03/2011 12:12:03
Não deixa de ser bem decorativo numa praça pública,
mas francamente,
árvores artificiais?!!!
Onde brota a maça?!!
Coisa de frances mesmo...

De: Adriana Mikulaschek em 04/03/2011 10:47:31
E eu fico pensando o que será que vai ser feito com esse monte de CO2 que fica armazenado nessa árvore artificial....

De: paula ismael em 26/02/2011 12:27:20
ah, e acho que essa conversa TED é muito mais eficiente e mostra práticas menos ficcionais
http://www.ted.com/talks/michael_pawlyn_using_nature_s_genius_in_architecture.html
inspirador, no mínimo.

De: NAZARÉ FREITAS em 25/02/2011 18:38:56
POR QUE COMPLICAR, SE TUDO PODE SER TÃO SIMPLES?

De: charles marques em 24/02/2011 19:08:52
Árvores artificiais,Barbie....
Como diria minha saudosa avózinha : AI JESUS !!!!
Sinal dos tempos ?
Saudações Fernando.

De: paula em 21/02/2011 17:10:52
enquanto acharem que sustentabilidade é igual a ficção cientifica, com fibras opticas e designs mirabolantes, continuaremos com soluções-placebo. sustentabilidade é procurar ao máximo causar o mínimo de dano ao ambiente (social, urbano, arquitetonico, ecologico, o que seja) e isso já deveria ser mais que óbvio.
