

Fernando Luiz Lara - é professor da University of Texas at Austin School of Architecture onde dirige o grupo LAMA (Latin American Modern Architecture) de pesquisa. Arquiteto pela Universidade Federal de Minas Gerais (1993) e PhD pela Universidade de Michigan (2001), Lara teve sua tese de doutorado sobre a disseminação do modernismo no Brasil publicada em 2008: The Rise of Popular Modernist Architecture in Brazil, Gainesville: UPF. Com mais de uma centena de artigos publicados, Prof Lara discute as arquiteturas brasileiras moderna e contemporânea e seus significados no contexto socio-econômico-ambiental. Fundador do Studio Toró, uma ONG focada no desafio de construir debaixo de milhares de milímetros de chuva, Lara é também consultor do escritório Horizontes que trabalha com a arquitetura pública em todas as suas escalas. Seus trabalhos mais recentes sobre as favelas brasileiras investiga a disseminação do conhecimento arquitetônico até os mais humildes extratos sociais.
O conflito na Líbia e a instabilidade geral no oriente médio levaram o preço do barril de petróleo de volta para o patamar dos 100 dólares, o mesmo nível pré crise de 2008. Os países ditos desenvolvidos entram em alerta, para eles o fluxo regular do petróleo cru é de vital importância, e não interessa se para isso é preciso negociar com regimes corruptos como na Nigéria e na Rússia, ou autoritários como no Oriente Médio, ou populistas (no mínimo) como na Venezuela. Importa o abastecimento.
Acontece que, como dizem ha décadas, os mais sérios ambientalistas, e, como refutam há décadas, as empresas do setor, a capacidade produtiva do mundo está no limite. Basta uma Líbia paralisada com seus 2% da produção mundial fazendo falta e o preço do barril sobe de 85 para 100 dólares.
Neste cenário, o Brasil está (ou deveria estar) super bem na fita. Afinal de contas somos auto-suficientes em petróleo e ainda temos estas reservas enormes embaixo do sal do sudeste. Isto se reflete no fato de que a Petrobrás segura sem maiores problemas o preço dos combustíveis no varejo. Esta alta de 30% no preço do barril ainda não foi sentida no Brasil (será certamente repassada se o preço se mantiver) e, ao contrário, as ações da Petrobrás subiram desde que começaram os protestos na Tunísia e depois no Egito.
Mas aí vem a crueldade (pra fazer um trocadilho com o óleo cru) da questão. Para que exatamente precisamos de mais petróleo? Para asfaltar todos os espaços que depois serão ocupados por automóveis num ritmo de 5 km por hora? Ou para mover uma rede de transporte público mais eficiente, dentro e entre as cidades?
Como vamos investir o lucro advindo da exploração do pré-sal num mundo em que o barril pode facilmente dobrar de preço na próxima década? Numa sociedade mais sustentável socialmente e ambientalmente ou neste modelo atual, que apesar de ter se tornado um pouco menos injusto nos últimos anos não parece ter se tornado nem um pouco mais eficiente.
A abundância de petróleo tem sido até hoje muito mais uma maldição do que uma bênção, como bem escreveu Peter Maas in “Crude World”. Eu torço muito para que o Brasil seja exceção à regra (como a Noruega) e use o recurso para o bem de todos, mas, confesso, vejo passos de caranguejo nesse sentido.
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De: Vicente em 13/03/2011 23:20:07
Mais um motivo para caminharmos para uso de outras fontes energéticas, e usar de forma mais racional os recursos que temos,o que hoje é inviável economicamente, em breve será viavel. É um caminho sem volta, um Xeque árabe já disse uma vez "... a idade da pedra não acabou por falta de pedra...", com o petróleo não será diferente.

De: FEROLLA em 11/03/2011 14:55:00
Caro Queijin' (difícil ignorar as raízes mineiras...),
Primeiro:
não somos, não, auto-suficientes nisso, a natureza mesma da nosso petróleo exige importarmos boa quantidade de outros para recomposição química do nosso, impróprio, pela falta desta composição, para uma série de derivados.
Segundo:
Pre-sal é uma hipótese.
A exploração dificílima, vai elevar custos, ou seja, acabarão se viabilizando mesmo com a exaustão dos outros, que vem queimando desde Marco Polo. Coisa, portanto, de longo prazo.
Terceiro:
a abundância geralmente faz o bem, pois que "o que abunda não faz mal".
No Brasil, então...
Quarto:
não sacaneia com os caranguejos, são apenas prudentes, seguem a máxima "zen" de hesitar antes de avançar um centímetro mas estar sempre prontos pra recuar um metro...
abração.

De: charles marques em 11/03/2011 12:13:02
Dear Lara,o petróleo é nosso ? os maiores acionistas aonde
estarão ?
Vamos navegando,navegando... a nau pertence aos Reis de Espanha.
Eu queria ser feliz,invento o Mar e invento em mim um
Sonhador.Milton nascimento.
Saudações Fernando.
