Fernando Luiz Lara - é professor da University of Texas at Austin School of Architecture onde dirige o grupo LAMA (Latin American Modern Architecture) de pesquisa. Arquiteto pela Universidade Federal de Minas Gerais (1993) e PhD pela Universidade de Michigan (2001), Lara teve sua tese de doutorado sobre a disseminação do modernismo no Brasil publicada em 2008: The Rise of Popular Modernist Architecture in Brazil, Gainesville: UPF. Com mais de uma centena de artigos publicados, Prof Lara discute as arquiteturas brasileiras moderna e contemporânea e seus significados no contexto socio-econômico-ambiental. Fundador do Studio Toró, uma ONG focada no desafio de construir debaixo de milhares de milímetros de chuva, Lara é também consultor do escritório Horizontes que trabalha com a arquitetura pública em todas as suas escalas. Seus trabalhos mais recentes sobre as favelas brasileiras investiga a disseminação do conhecimento arquitetônico até os mais humildes extratos sociais.

ANO NOVO, CONSELHO NOVO - 06.01.2011



A virada de 2010 para 2011 trouxe mudanças. Empossamos nossa primeira presidenta, que bons ventos a ajudem no leme deste país que segue mais altivo do que nunca. Mas, foi Lula quem reservou para os arquitetos um presente especial de fim de ano, no penúltimo dia de seu mandato: a aprovação da lei 12.378 que cria o Conselho de Arquitetura e Urbanismo. Programado para começar a funcionar em 2012, o CAU será o órgão responsável pela atribuição e fiscalização dos profissionais arquitetos.

Apesar de ser uma demanda de 70 anos da classe, a criação do CAU, por si só, não significa a redenção da profissão. Muito pelo contrário, há de se trabalhar muito para que ele não se torne um CREAzinho só nosso, com os mesmos vícios. Mas é um passo importante, porque acredito que os valores da arquitetura são significativamente diferentes dos valores da engenharia, e o CREA nunca entendeu (ou quis entender) isto.

E aqui vem uma característica fundamental da arquitetura que diz respeito diretamente à questão da sustentabilidade. A arquitetura (pelo menos a boa arquitetura) tem um componente subjetivo, uma face artística que é muito difícil de captar numericamente, como sempre quer a abordagem da engenharia. Como colocar a textura, a luz, a composição correta em uma planilha? Como quantificar a poesia?

Algo muito difícil de fazer, por exemplo, com a atual lei de licitações, que obriga o poder público a contratar o serviço mais barato. Ora, direis, mas diferentes arquiteturas, da melhor à pior, podem ser muito parecidas quando transformadas em um cronograma físico financeiro. Contratar serviços de arquitetura, todo bom construtor sabe, é como comprar um carro usado. Há de se olhar bem a história pregressa do respectivo veículo. Caso contrário, o que parecia barato sai muito caro.

Entenderam onde eu quero chegar com a metáfora? O CAU tem por missão defender o bom exercício da profissão para o bem púbico da nação e isto implica mostrar que a lei de licitações não leva necessariamente ao melhor resultado construído. Muito melhor é a experiência Francesa ou Colombiana (pra ficar aqui mais perto), onde todas, repito: todas as obras públicas acima de certa metragem são objeto de concurso público. Para alguns programas mais complexos se exige comprovação de experiência e para outros não, criando oportunidades e competitividade entre os arquitetos. Infinitamente melhor que os acordos palacianos da Copa de 2014, por exemplo.

No momento em que temos nosso próprio conselho e muitos anos pela frente de trabalho a plenos pulmões, fica aqui a minha proposta: que o CAU defenda o uso do instrumento do concurso para obras públicas acima de 2.000 m2 de área.

Acredito ser este o melhor caminho para a construção de cidades mais sustentáveis, em todos os sentidos desta desgastada palavra.


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Comentários

De: Miriam Mirna Korolkovas em 09/01/2011 20:38:25
Ola Fernando...bom saber de vc por aqui e continua pensando em nos mesmo estando por la. Ainda me conecto com UMICH! Bjos, MMKorolkovas


De: sami bussab em 09/01/2011 17:33:03
Chegou a hora de unirmos em torno de um unico objetivo, acabar com as implicancia com colegas, etç. Temos uma tarefa muito dificil pela frente, escolher pessoas capazes e experientes em gestão para montar o CAU, não podemos correr o risco de deixar que se torne uma luta politica pelo poder, como ocorreu no IAB.
Vamos ter juizo e serenidade para escolhermos pessoas realmente envolvidas com arquitetura e que tenham dicernimento e experiencia anterior, com lucides para levar essa empreitada para frente.


De: ROBERTO DOMINGUES em 08/01/2011 15:20:25
Caro Lara, adorei suas metáforas, executo designes de interiores, arquitetonicos e administro obras, sou um profissional "caro", autodidata e pensador, extremamente criativo e cuidadoso com a profissão, e fiquei muito feliz com o CAU, e afinal os Conselhos ai estão para fiscalizar os Profissionais, não as Leis.O CAU, vem premiar uma iniciativa já demoradamente, separando a Criação da Execução. Abraços a todos.
Roberto Domingues - Bahia.


De: charles marques em 08/01/2011 13:48:39
Caríssimo Arquiteto Luiz Lara,volto a Lembrar Don Quixote!
Vamos Lá para a retrospectiva:
Quem fez os projetos para o Banespa?
Quem Fez os projetos Para a Caixa Economica Federal?
Caixa Economica Estadual?....
Dúvidas? consultar:Cadernos de Arquitetura.
Consulte quem estava à postos nas instituições de arquitetura à época..
Foram criados Zilhares de" cursos de arquitetura"por este
Brasil a fora com dinheiro público.
Quem se manifestou?
Brasil!quem já subiu até o Norte sabe a imensidão deste
Brasil.é grande! é imenso!é continental...
Vai em São Luiz do Maranhão...é longe...longe...
Daí você importa um modelo Espanhol,Português,Francês....
Como na Constituição de 1988,mesmo enfoque...paradigama...
e fica zanzando...
Medida política:Vamos contentar esta turma...
Vamos ajeitar uma salinha lá em Brasília e na porta uma
plaquinha:CAU.
Que os Jovens lutem...Como lutaram: Vilanova Artigas,
Sérgio Ferro,Joaquim Guedes,Rodrigo Lefèvre e tantos outros
Exerceram seu ofício com amor, sem se prender a instituições.



De: Steven Julie em 07/01/2011 17:45:38
E que realmente coloquem em vigor a Lei n° 5192, cujo "Art 82. As remunerações iniciais dos engenheiros, arquitetos e engenheiros-agrônomos, qualquer que seja a fonte pagadora, não poderão ser inferiores a 6 (seis) vêzes o salário-mínimo da respectiva região."
É inacreditável que até mesmo Prefeituras e Órgãos públicos, que deveriam ser exemplos de respeito e atendimento à leis, consigam abrir editais de concursos públicos onde o salário oferecido para Arquitetos chegue aos míseros R$700,00!!!!! Se o Governo desrespeita-nos e desvaloríza-nos assim, oque farão (e o fazem!!) a sociedade e empresários do cetor??!!!


De: GISELE DUTRA em 07/01/2011 17:33:32
Caros colegas, daqui pra frente nós seremos os senhores do nosso destino, não teremos a quem atribuir a nossa desordem e desunião...então, vamos à luta pelos nossos ideais de sociedade!!!!
CAU seja bem vindo!!!!!


De: Rogério Romeiro em 07/01/2011 16:46:39
Agora é simples...:
Estamos nos livrando da submissão ao “sistema crea-confea” eca! ergh! argh! ah! ...ainda um ano de transição... só assim poderemos experimentar nossa própria entidade, adequada, reconhecida, fiel, respeitada, representativa e etc. etc. etc.
Vamos nos permitir a oportunidade necessária (leia-se aqui direitos legais) para exercer nossos próprios caminhos respondendo e gerindo nossos anseios e destinos.
Que as decisões sejam nossas decisões; que nossos caminhos sejam traçados e caminhados por nós mesmos e que agora sejamos presentes para planejar, unir, fortalecer e defender nossa tão desprovida classe.

Ao CAU, seja bem-vindo. Antes tarde do que nunca...! Quem participar, defender, trabalhar e viver, verá!

Vale lembrar o Decreto Estadual 56.565 publicado em 24 dez. 2010 que proibi a adoção de critérios como menor preço ou pregão para a contratação de serviços de arquitetura e engenharia pelo poder público de estado de São Paulo.
Rogério Romeiro - www.rrarq.com.br


De: ROBERTO S. MORENO em 07/01/2011 16:15:53
Um Conselho existe para zelar pela excelência no exercício profissional para que a sociedade tenha serviços de qualidade. Se o CONCURSO PÚBLICO contribui para isso, é sim também do CAU a tarefa de defender essa forma de contratação pública, juntamente com as demais entidades profissionais, como o IAB, a FNA, a ABEA, a ABAP e outras. É preciso lembrar que cada uma dessas entidades abriga uma parcela de profissionais. O CAU abrigará a grande maioria, e portanto, terá mais força de atuação. A união de todas as entidades, consequentemente, reunirá uma força considerável para defender a proposta.


De: Ferolla em 07/01/2011 16:13:59
Qeuijin, bãozin?

postei sobre isso outro dia no site do Sobreira, falamos algumas coisas bem parecidas, veja em

http://concursosdeprojeto.org/2010/12/31/cau-concursos-de-arquitetura-e-urbanismo/

um bom 2011.
passando por aqui, apareça.
abração

J.E.F.


De: ARQ. CLAUDIA OLIVEIRA em 07/01/2011 14:44:45
QUAL É A FUNÇÃO DO CONSELHO? SERÁ QUE ESTA ESTA ´PROPOSTA CABE AO CONSELHO? OU CABE SO ´SINDICATO? AO IAB?
TEMOS AQUI QUE ESCLARECER A REAL FUNÇÃO DO CONSELHO. SE É PARA FISCALIZAR QUE FISCALIZEM.
SE PARA CRIAR LEIS QUE CRIEM.
SE PARA EXECUTAR AS LEIS QUE EXECUTEM.
SE É PARA DEFENDER A SOCIEDADE QUE DEFENDAM.


De: charles marques em 07/01/2011 14:37:19
Fico imaginando um Senhor às margens do Rio Ipiranga,
com uma régua"T" em riste, gritando : Viva a Liberdade !!!!
Me faz lembrar:O Fidalgo Dom Quixote de La Mancha.
Agora vai começar... quem-é-quem...Asbea,Iab,Area,fna..... Arquitetos e Engenheiros são Seres Humanos com
muitas virtudes,mas no poder...ah! o poder...
Alí que você vê o desenho original.


De: RODRIGO ADONIS BARBIERI em 07/01/2011 14:33:13
Estou participando de uma licitação neste exato momento e é um absurdo o preço proposto!


De: Eduardo Petarle em 07/01/2011 13:58:40
Concordo com o autor, o engenheiro não tem as mesmas concepções que um arquiteto tem em construções.


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