Fernando Luiz Lara - é professor da University of Texas at Austin School of Architecture onde dirige o grupo LAMA (Latin American Modern Architecture) de pesquisa. Arquiteto pela Universidade Federal de Minas Gerais (1993) e PhD pela Universidade de Michigan (2001), Lara teve sua tese de doutorado sobre a disseminação do modernismo no Brasil publicada em 2008: The Rise of Popular Modernist Architecture in Brazil, Gainesville: UPF. Com mais de uma centena de artigos publicados, Prof Lara discute as arquiteturas brasileiras moderna e contemporânea e seus significados no contexto socio-econômico-ambiental. Fundador do Studio Toró, uma ONG focada no desafio de construir debaixo de milhares de milímetros de chuva, Lara é também consultor do escritório Horizontes que trabalha com a arquitetura pública em todas as suas escalas. Seus trabalhos mais recentes sobre as favelas brasileiras investiga a disseminação do conhecimento arquitetônico até os mais humildes extratos sociais.

EXPLIQUE PARA AS CRIANÇAS - 12.05.2011



No twittcam  da semana passada me perguntaram algumas vezes sobre a minha definição de sustentabilidade e eu respondi com um clássico: usar os recursos naturais de forma a garantir o uso dos mesmos pelas próximas gerações.

Pois, desde então, tenho me deparado com esta questão. Estamos mesmo tentando preservar a disponibilidade de recursos naturais para os que vem depois? Temos como explicar para as crianças de hoje que estamos trabalhando pra que elas tenham um planeta melhor daqui a 20, 30 anos?

Acabei de ler o livro HOT: living through the next fifity years on Earth, de Mark Hertsgaard. Jornalista especializado em questões ambientais, Hertsgaard escreve sobre a questão climática há 20 anos e estava acostumado a ter uma visão fria e política sobre o assunto, até que nasceu sua filha, Chiara. O livro é uma análise do mundo em que Chiara vai viver: longos períodos de seca e tempestades mais fortes, instabilidade econômica e política à medida em que a temperatura do planeta se eleva e continuamos fazendo muito pouco para reverter o problema.

Hoje mesmo um artigo da revista Foreign Policy liga as revoltas no norte da África e no Oriente Médio ao aumento do custo dos alimentos causado diretamente pelo clima mais extremo. Aliás, como Hertsgaard articula muito bem, respaldado pela comunidade científica, mesmo que consigamos diminuir a emissão de carbono rapidamente, o aquecimento tem um efeito inercial que fará com que os pólos continuem derretendo e o clima continue hostil por pelo menos um século. E é este século em que Chiara vai viver, assim como as minhas filhas e as suas também, caro leitor.

O que me trás ao segundo assunto da semana. Estive na Columbia University, em Nova York, na semana passada para a apresentação final do Studio Sangue Bom, de Keith Kaseman e Raul Smith. Debruçados sobre a praça Tiradentes no centro do Rio, os alunos da Columbia produziram todo tipo de propostas para revitalização da área. Mas o que mais me chamou a atenção (fora um trabalho belíssimo sobre o concreto como suporte para o verde) foi a apresentação em vídeo de um aluno. Ele tentava explicar seu projeto para uma criança de 9 anos.

É isso! Cada vez que nós arquitetos tivermos idéias mirabolantes para resolver o mundo (e eu acredito na nossa capacidade de gerá-las) deveríamos tentar explicá-las para as crianças. Voltando à pergunta do meu velho mestre Radamés Teixeira: como é que o seu projeto torna o mundo um pouquinho melhor? Se você conseguir explicar isso para a nova geração - que por sinal é muito mais consciente de suas responsabilidades ambientais - parabéns: o seu projeto é certamente sustentável.


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Comentários

De: Raul Correa-Smith em 19/06/2011 14:02:05
Ola Bruno,

Eis aqui o link da entrevista de nosso aluno:
http://vimeo.com/23027484

Teremos uma exposicao abrindo agora no Rio, em que os trabalhos dessa turma talentosa sera exposto, veja abaixo.

Abracos a todos,
Raul

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CENTRAL FUTUROS: exposição dos trabalhos produzidos pelo Studio Sangue Bom, um atelier de design avançado da Faculdade de Arquitetura, Planejamento e Preservação da Universidade Columbia (GSAPP), impulsionados no sentido de gerar, de forma positivamente colaborativa, demonstrações das potencialidades de futuros espaciais para o entorno da Praça Tiradentes.

Quinta-feira, 30 de Junho, de 18h as 22h
18h-20h: Abertura da Exposição
20h-22h: boTECOeletro feat. Ricardo Imperatore

Esperamos vocês no Studio-X Rio para a abertura do CENTRAL FUTUROS!

Studio-X Rio
Praça Tiradentes #48
Centro, RJ


De: Bruno Roberto Padovano em 15/05/2011 19:30:57
Mais um ótimo texto, Fernando: a educação é de fato o caminho mais sustentável para que a humanidade tenha futuro. E nós, educadores e projetistas voltados à sustentabilidade, temos que de fato envolver as crianças nisso, até porque a situação está crítica, como você bem aponta. Serão as futuras gerações a sentir os piores impactos da nossa forma quase sempre insensata de usar os recursos naturais do planeta, e é bom que os adultos desse amanhã saibam disso desde pequenininhos. Nada como estar preparados para uma crise que vem se avolumando, sendo informados sobre possíveis saídas e soluções para tais problemas. A escola e a universidade juntos....precisamos muito disso!
PS Seria possível disponibilizar esse vídeo do aluno da Columbia para o Arq!Bacana?


De: Ana Clara em 12/05/2011 20:22:48
Ora, ora! Simples assim. Como retórica ou figura de linguagem, ótimo. Mas, eu diria, ora, ora...quem é mãe de vários, sabe porque digo ora, ora...além de já ter sido criança e ter na memória o processo de amadurecimento de situações mais complexas. Ora, ora bolas!


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