Fernando Luiz Lara - é professor da University of Texas at Austin School of Architecture onde dirige o grupo LAMA (Latin American Modern Architecture) de pesquisa. Arquiteto pela Universidade Federal de Minas Gerais (1993) e PhD pela Universidade de Michigan (2001), Lara teve sua tese de doutorado sobre a disseminação do modernismo no Brasil publicada em 2008: The Rise of Popular Modernist Architecture in Brazil, Gainesville: UPF. Com mais de uma centena de artigos publicados, Prof Lara discute as arquiteturas brasileiras moderna e contemporânea e seus significados no contexto socio-econômico-ambiental. Fundador do Studio Toró, uma ONG focada no desafio de construir debaixo de milhares de milímetros de chuva, Lara é também consultor do escritório Horizontes que trabalha com a arquitetura pública em todas as suas escalas. Seus trabalhos mais recentes sobre as favelas brasileiras investiga a disseminação do conhecimento arquitetônico até os mais humildes extratos sociais.

HOUSTON, WE HAVE A PROBLEM - 06.12.2011


 
 

Ontem fui a Houston para as bancas finais da University of Houston. A cidade é a quarta dos EUA e tem museus e obras de arte para competir com Chicago e Los Angeles. Mas, Houston é também a capital da indústria do petróleo, o maior lobby a favor da queima de carbono na face da terra. Por isso, os 250 quilômetros que separam Austin de Houston parecem um oceano cultural. A capital, Austin, com seus 800 mil habitantes, é uma bolha de pensamento progressista, de fitness e de diversidade, enquanto os quatro milhões de habitantes de Houston passam horas dentro de seus SUVs. Claro que exceções existem, mas, via de regra, a frase acima descreve a maioria ou como a maioria se vê.

Dois dias antes, por exemplo, inauguramos uma exposição no hall principal da prefeitura de Austin sobre como desenhar espaços públicos tendo em vista as mudanças climáticas que já estão acontecendo. O “Design for Resilience” é uma investigação sobre como projetar em um ambiente de secas mais prolongadas e tempestades mais fortes. Em Houston, esse pensamento não transparece nas escolas e, muito menos, na prefeitura. Para ser justo, o Governo do Estado do Texas, cuja sede é aqui em Austin, também não move uma palha no sentido de diminuir as emissões de carbono, preferindo enfiar a cabeça no buraco.

Mas o tema deste breve texto de hoje é minha viagem mesmo, a estrada entre Austin e Houston. Resolvi aproveitar as duas horas e meia dirigindo para ouvir um livro. Peguei "EAARTH", de Bill McKibben, na Biblioteca Pública e fui ouvindo o livro em CDs. E, enquanto ele ia falando sobre a concentração de carbono na atmosfera - que os melhores cientistas do mundo esperam que volte a 350ppm (uma redução de 10% do nível atual), mas que os acordos furados de Copenhagen devem levar a 720ppm - e o desastre natural e social que isto significa, eu ia dirigindo por Bastrop, numa paisagem de Terceira Guerra Mundial.

O sudoeste norteamericano passou, este ano, pela pior seca desde 1950. Entre outubro de 2010 e outubro de 2011 choveu 15% da média anual. Ao mesmo tempo, o verão de 2011 foi o mais quente desde que começaram a coletar dados sistematicamente, há 150 anos. A combinação de seca e calor funcionou como um barril de pólvora e, quando alguém riscou um fósforo, 10.000 hectares onde havia 1.400 casas queimaram em três dias. E começa a doer no bolso. Talvez essa seja a única forma de pressionar por mudanças no médio prazo, já que, mudar hábitos de consumo e formas de produção, vai levar, neste ritmo, várias gerações. Cinco bilhões de dólares de prejuízos para agricultura e pecuária só no Texas, 500 milhões só desse foguinho descrito acima. Quando é que Houston vai acreditar que temos um problema?


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Comentários

De: Carlos Eduardo em 12/03/2012 23:26:42
Renilda,

Vi seu comentário e eu acompanho o Portal www.obra24horas.com.br e lah encontro matérias e noticias de arquitetura, construção e decoraçao...vale a dica..abs


De: Renilda Gomes Martins de Freitas em 08/12/2011 20:40:32
Sou estudante de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de itauna/MG. Vou para o 9.0 período. Tenho 62 anos , inglês intermediário.Tenho interesse em notícias de intercâmbio ou pós graduação nesta área de arquitetura com sutentabilidade.


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