

Fernando Luiz Lara - é professor da University of Texas at Austin School of Architecture onde dirige o grupo LAMA (Latin American Modern Architecture) de pesquisa. Arquiteto pela Universidade Federal de Minas Gerais (1993) e PhD pela Universidade de Michigan (2001), Lara teve sua tese de doutorado sobre a disseminação do modernismo no Brasil publicada em 2008: The Rise of Popular Modernist Architecture in Brazil, Gainesville: UPF. Com mais de uma centena de artigos publicados, Prof Lara discute as arquiteturas brasileiras moderna e contemporânea e seus significados no contexto socio-econômico-ambiental. Fundador do Studio Toró, uma ONG focada no desafio de construir debaixo de milhares de milímetros de chuva, Lara é também consultor do escritório Horizontes que trabalha com a arquitetura pública em todas as suas escalas. Seus trabalhos mais recentes sobre as favelas brasileiras investiga a disseminação do conhecimento arquitetônico até os mais humildes extratos sociais.
Devíamos prestar mais atenção aos demógrafos. Dez anos atrás, David Lam e Letícia Marteleto publicaram um paper que chamou minha atenção ao colocar a questão da janela de oportunidades brasileira relacionada ao tamanho das coortes e o investimento em educação.
Coorte, na língua dos demógrafos, é o conjunto de pessoas nascidas num mesmo ano. Eu, por exemplo, faço parte da coorte que nasceu em 1970 - um total de, aproximadamente, 2.600.000 pequenos tri-campeões (do que muito me orgulho, tendo nascido em dia de jogo). Apesar de que o Brasil já estava passando nos anos 70 pela chamada transição demográfica (movimento em que a mortalidade cai e é seguido pela queda da fertilidade), o número de nascimentos continuou crescendo até atingir o máximo de 3.700.000 brasileirinhos em 1982. A partir daí o numero de nascimentos caiu gradativamente até voltar, em 2010, a níveis pré 1970 ou menos de 2.5 milhões de nascimentos.
O que significam, então, tais janelas de oportunidades? Em termos de educação, o esforço de construir escolas se concentrou nos anos 80 e 90, momento em que esta geração estava chegando a idade escolar. Agora, que temos 97% das crianças na escola e a cada ano teremos menos crianças chegando à primeira série, podemos nos dedicar a qualidade.
Esse grupo nascido entre 1977 e 1985 explica muitas outras coisas que dizem respeito a nossa profissão. Lembram-se da dramática expansão de cursos de arquitetura entre 1995 e 2000, exatamente quando esta turma estava chegando a universidade? Ou o forte aquecimento do mercado imobiliário nos últimos 8 anos, quando esta turma estava se casando e buscando onde morar?
E o que isso tem a ver com sustentabilidade? Este grupo que está agora em plena idade produtiva, ajuda a impulsionar a economia (graças ao desemprego em níveis históricamente baixos) e gerar riqueza. Ao mesmo tempo, esta geração tem poucos idosos e menos crianças para sustentar, gerando uma espécie de superávit. A coorte de 1982, prestes a fazer 30 anos de idade, é típica neste sentido. O número médio de filhos figura abaixo do nível de reposição para os mais ricos, e, ligeiramente acima para os mais pobres.
Acontece que daqui a 30 anos esta turma vai estar se aposentando num ritmo de mais de 3 milhões por ano, e teremos apenas 2 milhões de jovens entrando no mercado de trabalho ao mesmo tempo. A diferença de 1 milhão de pessoas a menos trabalhando a cada ano abre oportunidades, mas cria também uma pressão enorme no sistema previdenciário e na arrecadação de impostos. Problemas que Japão e Itália estão enfrentando agora, nos esperam em 2040.
A janela de oportunidades que se coloca é a seguinte: se quisermos fazer ajustes no modelo econômico de forma a continuar diminuindo as desigualdades e ao mesmo tempo conservar recursos naturais, a hora é agora. Daqui a 30 anos será muito, muito mais difícil.
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De: MARCELO PALHARES SANTIAGO em 25/04/2011 14:52:51
Fernando, acho que um dos pontos críticos da demografia é este: "O número médio de filhos figura abaixo do nível de reposição para os mais ricos, e, ligeiramente acima para os mais pobres".
Enfim, se não houver controle de natalidade, principalmente entre os mais pobres, a concentração de renda vai continuar aumentando. O problema é que isso depende de interesses religiosos e investimento em educação (que está realmente em baixa, vide os maus tratos ao português).

De: Pablo em 25/04/2011 12:09:13
Escola Publica no Brasil? Nao se sustenta meu Caro
Seria escola se os professores quizessem o soubessen o que ensinan
Seria publica se tivessen mais das treis horas e meia de aula, das 7,10 as 11,20, com 45 minutos de recreio...
(semana proxima estaram de greve e nos convidam para uma reuniaõ obrigatoria para nos informar as causas da greve!!!
dapara acreditar na frescura dessas professoras, piraram de vez)
Tenho duas filhas de nove anos e ainda nao les ensinaram litro, kilograma, metro,centavo,superficie, uma vergonha; pero eso sim, obrigam elas carregar mais de cinco quilogramas de livros cheios de ilustraçoes com grafica do tipo "multimidia"... dupla sacanagem; os pesados (e de graça e carissimos com certeza) libros som otimos se no se tratasse que a maioria dos pais de escolas publicas são "analfabetos do tipo funcional" e tem que lidar com asa tarefas dos filhos em casa. Q pena, que futuro inconsistente.! Para os europeios Seguiremos sendo uma terra de pintorescos e felizes nativos, habilidosos com a bola e sensuis no rebolado...Pelos milhoes de futuros e atuais aposentados apodrecendo as articulaçoes de passar horas sentados na TV nao devemos de nos stressar, ficam bem calminhos durante anos e messes e dias e horas olhando as novelas, donde os ricos são bomzinhos e os empregadinhos pobres tem finais felices... ate casam com o dono o a viuva do dono da fabrica.

De: bruno roberto padovano em 23/04/2011 09:11:41
Perfeito,Fernando.
É como escrevi na outra resposta ao teu texto sobre Detroit: vamos ter filhos, minha gente....ânimo! Num país imenso e quase todo vazio, precisamos de mais jovens brasileiros....E de novas oportunidades para todas as idades e de planejamento urbano e ambiental dentro do paradigma da complexidade sustentável, claro, para evitar os erros do passado.
Daí a importância dessa tua coluna.
Bravo!
Bruno

De: Ana Marcia em 21/04/2011 00:06:24
Sempre muito claros e pertinentes os artigos do professor Fernando Lara
