

Fernando Luiz Lara - é professor da University of Texas at Austin School of Architecture onde dirige o grupo LAMA (Latin American Modern Architecture) de pesquisa. Arquiteto pela Universidade Federal de Minas Gerais (1993) e PhD pela Universidade de Michigan (2001), Lara teve sua tese de doutorado sobre a disseminação do modernismo no Brasil publicada em 2008: The Rise of Popular Modernist Architecture in Brazil, Gainesville: UPF. Com mais de uma centena de artigos publicados, Prof Lara discute as arquiteturas brasileiras moderna e contemporânea e seus significados no contexto socio-econômico-ambiental. Fundador do Studio Toró, uma ONG focada no desafio de construir debaixo de milhares de milímetros de chuva, Lara é também consultor do escritório Horizontes que trabalha com a arquitetura pública em todas as suas escalas. Seus trabalhos mais recentes sobre as favelas brasileiras investiga a disseminação do conhecimento arquitetônico até os mais humildes extratos sociais.
Uma notícia passou despercebida neste fim de ano. Pela primeira vez, desde 1949, os EUA exportaram mais gasolina do que importaram. Parece interessar apenas a indústria do petróleo, mas, por trás disto estão mudanças interessantes. A primeira e mais óbvia delas é a estagnação econômica dos EUA, onde o consumo de gasolina cai pelo quarto ano seguido (desde 2008). Com excesso de capacidade instalada (milhares de refinarias), torna-se mais barato refinar petróleo nos EUA e exportar para o mundo, Brasil incluído.
Mas, uma segunda tendência se percebe debaixo desta estatística: os enormes SUVs e Pickups não são mais o carro da moda como foram nos anos 90. Ainda vendem no interior e nos estados mais conservadores, mas, nas cidades formadoras de opinião, como Nova York, Chicago e São Francisco, o que se vê é Mini Cooper, Fiat Cinquecento e Honda FIT. A maior porcentagem de casas devolvidas e leiloadas pelos bancos (foreclosure) está nos subúrbios distantes. O público jovem voltou a querer morar no centro das cidades, revertendo um movimento centrífugo que já durava 70 anos.
Com isso, fica uma pergunta: o que fazer com toda esta infraestrutura de autopistas que envolve as grandes cidades? Em 1989, São Francisco aproveitou um terremoto e resolveu não reconstruir uma autopista elevada que ruiu. O resultado é a maior área turística junto ao mar na região do Embarcadero. Em Seul, Coreia, um rio urbano foi reaberto e as autopistas em volta demolidas, a cidade ganhou um parque. Agora em Madrid, numa área degradada aos fundos do palácio Real, 40 quilômetros de túneis foram construídos para enterrar a autopista e reconectar o Rio Manzanares com a cidade às suas margens.
O que era exceção vai virando regra. Menos ou menores automóveis, menos autopistas e mais parques bem junto aos centros urbanos que vão, aos poucos, ganhando densidade. O século XXI vai chegando devagarzinho.
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