

Fernando Luiz Lara - é professor da University of Texas at Austin School of Architecture onde dirige o grupo LAMA (Latin American Modern Architecture) de pesquisa. Arquiteto pela Universidade Federal de Minas Gerais (1993) e PhD pela Universidade de Michigan (2001), Lara teve sua tese de doutorado sobre a disseminação do modernismo no Brasil publicada em 2008: The Rise of Popular Modernist Architecture in Brazil, Gainesville: UPF. Com mais de uma centena de artigos publicados, Prof Lara discute as arquiteturas brasileiras moderna e contemporânea e seus significados no contexto socio-econômico-ambiental. Fundador do Studio Toró, uma ONG focada no desafio de construir debaixo de milhares de milímetros de chuva, Lara é também consultor do escritório Horizontes que trabalha com a arquitetura pública em todas as suas escalas. Seus trabalhos mais recentes sobre as favelas brasileiras investiga a disseminação do conhecimento arquitetônico até os mais humildes extratos sociais.
Tempos de intensas discussões aqui em Austin. Na semana passada tivemos uma mesa redonda promovida pelo Center for Sutainable Development sobre paralelos entre as duas importantes sustentabilidades: a social e a ambiental. Na mesa, um representante de cada lado e eu no meio. Peter Ward tem 40 anos de estudo sobre a questão da informalidade na América Latina, começando na Inglaterra e desde os anos 70 no Texas, onde ele dirige atualmente a LAHN - Latin American Housing Network, uma rede com pesquisadores de 10 países. Steven Moore tem 3 décadas de trabalho relativo a sustentabilidade ambiental e é autor de um livro clássico que compara Frankfurt, Curitiba e Austin. Os dois colegas fizeram um balanço da trajetória das duas questões no mundo, suas origens e seus percursos. Enquanto o movimento ambientalista tem fortes raízes nos EUA, a questão da informalidade é muito mais estudada na Inglaterra, desde John Turner nos anos 60. E esta diferença se faz muito presente nos embates atuais.
Na minha fala, relatei as questões atuais que estão sendo discutidas no Brasil, como código florestal, minha casa minha vida, plano PAC, etc. De certa maneira não somos tão diferentes assim do resto do mundo. O embate entre estas duas urgentes questões se faz cada vez mais presente. Cada vez que o preço do petróleo sobe são os mais pobres nos EUA que mais sofrem. E cada vez que uma tempestade mais forte se forma como conseqüência do aquecimento global são os mais pobres que morrem. Soluções para isto, tanto no Texas quanto na região serrana do Rio de Janeiro ou no vale do Itajaí, devem, necessariamente, contemplar ambas as sustentabilidades. Está claro que nenhuma das duas, sozinha, dá conta dos desafios futuros. Mas é impressionante perceber a distância que separa os dois discursos. O movimento ambientalista tem no seu cerne uma visão preservacionista que vê como suspeita qualquer proposta de “desenvolvimento”. E o movimento social de melhoria nas vilas e favelas tem uma visão desenvolvimentista na qual tudo se resolve com mais cimento e mais asfalto, recusando como burguesa a preocupação com a preservação ambiental. Claro que eu estou exagerando um pouco na afirmação acima, mas a caricatura serve bem aos discursos que vejo dominando o debate público.
Ao mesmo tempo, uma tese de mestrado defendida por Christine Taylor também na semana passada mostra um incrível paralelo entre os dois temas no debate da arquitetura. Christine examinou todos os principais textos de arquitetura desde os anos 60 para traçar o movimento de entra-e-sai da questão ambiental e da questão da informalidade. O resultado é que os dois temas surgem mais ou menos juntos no panorama, a informalidade um pouco antes no final dos 60 e o ambientalismo a partir da crise do petróleo em 1973. Na sequência, ambos desaparecem do debate arquitetônico no final dos anos 70 e inicio dos 80, simultaneamente ao crescimento do neo-liberalismo de Regan e Thatcher. Encantados com o pós-modernismo e questões de lógica interna, a arquitetura só volta a se preocupar seriamente com o estado do planeta no final dos anos 90, com Mike Davis e Robert Neurwith escrevendo sobre as favelas e Al Gore chamando atenção do mundo para o aquecimento global.
A pergunta que fica no ar diz respeito ao “vazio” dos anos 80. Voltaremos a questões estéticas na próxima década ou vamos finalmente avançar para um papel social mais relevante?
Voltar
Home
De: Roberto Domingues em 29/05/2011 15:06:43
Caro Fernando Lara, Quanto à "pergunta"; Enquanto projetamos porque não aliarmos Estetica e Social? Acredito que ambos os papeis possam caminhar estupendamente juntos.
Cabe-nos entanto, enquanto formadores de opinião, sairmos da redoma a qual se lhes colocam, em grupos abastados de alta sociedade e intelectuais cada vez mais cheios de teoria, uma posição mais energica junto aos Orgãos Governamentais e seus setores de cunho Social, para que hajam com menos parcemonia, porem com muito mais sabedoria, honestidade, e espirito de Cidadania e Patriotismo.
ROBERTO DOMINGUES
"Solutions Designer"
"Extenção em Ambientalismo e Sustentabilidade"

De: charles marques em 26/05/2011 19:57:48
Caro Fernando, acompanhamos seu empenho e preocupação com
meio ambiente,sustentabilidade...
Aqui em Ribeirão Preto,o mês de Maio é época de colheita da
cana.método utilizado:fogo no canavial.
É triste,o homem vai destruindo,destruindo...

De: Nazaré Freitas em 26/05/2011 17:57:24
Também estou começando a levantar dados para um Projeto de Mestrado aqui em Bragança-Pará-Amazônia-Brasil, numa linha semelhante.
