Fernando Luiz Lara - é professor da University of Texas at Austin School of Architecture onde dirige o grupo LAMA (Latin American Modern Architecture) de pesquisa. Arquiteto pela Universidade Federal de Minas Gerais (1993) e PhD pela Universidade de Michigan (2001), Lara teve sua tese de doutorado sobre a disseminação do modernismo no Brasil publicada em 2008: The Rise of Popular Modernist Architecture in Brazil, Gainesville: UPF. Com mais de uma centena de artigos publicados, Prof Lara discute as arquiteturas brasileiras moderna e contemporânea e seus significados no contexto socio-econômico-ambiental. Fundador do Studio Toró, uma ONG focada no desafio de construir debaixo de milhares de milímetros de chuva, Lara é também consultor do escritório Horizontes que trabalha com a arquitetura pública em todas as suas escalas. Seus trabalhos mais recentes sobre as favelas brasileiras investiga a disseminação do conhecimento arquitetônico até os mais humildes extratos sociais.

ZERO-FED COMPETITION - 09.06.2011



Desde que George Bush passou Al Gore para trás em uma eleição muito mal explicada, os Estados Unidos parecem estar em um processo de regressão energética, andando para trás no que diz respeito à sustentabilidade e fontes renováveis de energia, que nem o carismático Barack Obama consegue reverter.

Digo parece nos dois sentidos da palavra. A imagem externa dos EUA é esta mesmo, de um gigante industrial com uma ganância e uma inércia enormes que vão arrastando o mundo para um desastre climático. Mas esta leitura é tão verdadeira quantos os estereótipos carnavalescos de Rio, esse filme lindinho e preconceituosinho que está em cartaz pelo mundo a fora. O estereótipo tem lá sua razão de ser, mas a realidade é muito mais complexa.

O movimento ambientalista, dentro e fora dos limites da arquitetura, vai bem obrigado. Eu vejo turbinas e hélices toda semana passando pela estrada rumo aos desertos do Texas. Vejo painéis fotovoltaicos sendo instalados por todo lado. E vejo a minha instituição (Universidade do Texas em Austin) voltar aos níveis de consumo de energia de 1977 apesar de ter dobrado de tamanho desde então.

No nível federal, é muito bem-vinda a iniciativa de um concurso para reformar os edifícios dos anos 50 para alcançar impacto zero de carbono. A revista Metropolis e a GSA (General Services Administration, órgão responsável pelos edifícios federais nos EUA) propuseram o concurso ZERO FEDS este ano. A GSA administra 36 milhões de metros quadrados e todo ano reforma centenas de edifícios. O concurso usava um prédio em Los Angeles como exemplo e convidava os arquitetos a projetar uma reforma que fizesse o impacto de carbono chegar a zero.

O simples fato do concurso ser uma reforma já é em si louvável, já que a arquitetura (e a industria da construção mais ainda) ainda funciona basicamente em torno de edifícios novos, a velha tabula-rasa modernista.

No caso deste concurso, o projeto premiado usa o edifício como uma superfície de geração (não apenas de consumo) de energia. Isso porque todo edifício precisa de energia para funcionar e o zero não é atingido simplesmente cortando o consumo de eletricidade. É preciso gerar energia e captar carbono da atmosfera, gerando um impacto negativo que equilibra o gasto com iluminação e ar-condicionado. No caso desta proposta, as fachadas são transformadas em um bio-reator com base em algas, transformando CO2 em energia ao mesmo tempo em que controla a incidência solar. Mais sol no verão significa mais alga e menos aquecimento interno. Menos sol no inverno significa menos alga e mais insolação.

Se as máquinas eram a inspiração dos modernos um século atrás, a natureza é sem dúvida a inspiração e a esperança da arquitetura do aquecido século 21.


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Comentários

De: Pablo Mendez em 17/06/2011 15:01:12
Caro Fernando
Será que esse e o futuro da arquitetura? E isso que estão ensinando nas escolas de arquitetura do pais da barbie y ken, superman e rambo? E a filosofia do pensamento arquitetônico que falava FLWright?, a Bauhaus virou uma nova marca de perfumes e maquiagem?
Os porta aviões, missils e a fastuosa festa do consumismo idiota, avançando por cima da simples e verdadeira filosofia do saber "pensar, viver, desejar, trepar, comer, projetar e construir e morrer bem".
Podemos profetizar um estético futuro hi-tech, abundante de novidades armamentistas e paliativos super-tecnológicos. O Ser Humano f...-se.


De: Roberto Domingues em 09/06/2011 22:06:50
Caro Lara,

Fico-lhe grato, por nos tranquilizar, quanto à realidade da Sustentabilidade Norte Americana, nos informando sobre a preocupação dos mesmos, e o quanto estão fazendo pelo Meio Ambiente.
Espero que quando voce aparecer por aqui, possa tambem dar seu parecer favoravel pelas nossas Acões.
Não tenha duvidas pois que precisamos aprender muito mais, o que estamos nos esforçando muito, afinal de contas não vai ser muito dificil, pois temos nossas Raizes Tupiniquins, o que nos favorece sobremaneira.
ROBERTO DOMINGUES
"Solutions Designer"
"Ext.em Ambientalismo e Sustentabilidade"


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